As facetas ainda desconhecidas de Ok Taecyeon, reveladas por uma curiosidade inesgotável.
Sua participação especial no drama <Agente Kim: Reativado>, que vem registrando uma audiência em constante alta, virou assunto. Foi um convite do seu veterano de agência, So Ji Sub?
Recebi o convite diretamente de outra pessoa, mas decidi aceitar porque queria muito atuar ao lado do Ji-sub hyung. Eu conhecia o webtoon, mas não conhecia os detalhes da história nem sabia qual seria o meu papel. O mais importante para mim era ser um projeto do Ji-sub hyung. Ele sempre foi alguém em quem posso confiar, mas encontrá-lo como colega de trabalho no set era uma experiência completamente diferente.”
No drama, o personagem Park Young-kwang é uma figura fundamental para a existência do Kim Bu-jang de hoje. A caracterização também foi bem marcante. Era difícil enxergar qualquer vestígio de Hwang Johan, de Soul Mate, série original da Netflix lançada em maio.
(Risos.) Ah, isso é mérito dos diretores dos dois trabalhos. Eles me dirigiram muito bem.
Você disse que escolheu Soul Mate porque ficou curioso com a dor e as carências do Yo-han. Houve algum motivo especial?
Ao observar a vida do Johan, tive a sensação de que a própria existência dele era constantemente negada. Era um tipo de sofrimento e um vazio que eu mesmo tinha dificuldade de compreender. Justamente por serem emoções e situações que normalmente não experimento, quis me desafiar. Enquanto vivia como Johan, minha curiosidade foi despertada para entender: “Que sentimento é essa?” “Como posso expressá-lo?”
Johan é um boxeador muito determinado, mas incapaz de olhar de frente para as próprias feridas. E você, Ok Taecyeon?
Hum… não sei muito bem. Às vezes acho que cuido bem de mim, outras vezes, acho que não. Nesse aspecto, sou meio indiferente.
Quando você percebe os próprios sentimentos?
Uma coisa da qual passei a ter certeza é que preciso de momentos sozinho. Viajar, caminhar ou dirigir me dão tempo para organizar os pensamentos. Até hoje, nunca achei que estivesse realmente esgotado. Mas, quando Vincenzo terminou, percebi isso. Depois das gravações, fui sozinho pra Jeju passar uns dias. Enquanto dirigia, de repente comecei a chorar.
Dizem que o efeito posterior costuma ser o mais difícil.
Pois é. E nem estava ouvindo uma música triste. Estava tocando uma música super animada no carro e, de repente, as lágrimas começaram a cair. Fiquei pensando: “O que está acontecendo? Por que estou chorando?”. (Risos.)
Foi naquele momento que entendi. Eu sabia que tinha passado por muito estresse, mas percebi que carregar as emoções do Jang Han-seok e viver todas aquelas situações tinha sido muito mais pesado do que eu imaginava.
Como conseguiu superar esses momentos?
Tenho muitas preocupações, mas, mesmo quando tudo parece desabar, preciso levantar de novo, como um boneco João-Bobo. Sempre penso em dar mais um passo à frente. Acho que a experiência de ter passado tantos anos promovendo intensamente com o 2PM me ajudou muito. Passei por tantos momentos difíceis que hoje penso: “Se consegui suportar aquilo, consigo superar isso também.”
Então as dificuldades do passado acabaram virando uma referência? Algo como “isso aqui eu dou conta”.
Exatamente. “Isso eu consigo fazer!” Se ainda posso ir para casa, dormir, tomar banho e voltar no dia seguinte, então está tudo bem.
Hoje em dia se fala muito do “ídolo hexagonal”, alguém bom em tudo. Entre todas as suas qualidades, qual você acha que é a mais desenvolvida?
Minha racionalidade. Tenho uma tendência muito forte a achar que preciso cumprir tudo o que foi colocado diante de mim. Quando estou gravando um drama, vejo o roteiro do dia e imediatamente começo a calcular quanto tempo e dinheiro aquilo vai consumir. Isso acaba me deixando ansioso. Também costumo cobrar muito de mim mesmo porque penso que terminar logo é melhor para todo mundo. Quando era mais novo, essa ansiedade me deixava bastante sensível e até um pouco ríspido. Depois percebi que esse não era o caminho certo. Hoje tento seguir com o espírito de “vamos juntos!” animando todo mundo e seguindo em frente juntos.
Você tem alguma estratégia para motivar toda a equipe no set?
Procuro criar um ambiente em que todos sintam que o projeto também é deles. Se o objetivo dos assistentes mais novos é terminar cedo e ir para casa, então faço desse objetivo o meu também. Passei a enxergar dessa forma.
Esse lado racional também influencia na escolha dos trabalhos?
O que pesa é a história. Quero saber se ela é interessante e se representa um desafio. Se mudou alguma coisa em relação ao passado, é que hoje também acho divertido alcançar o público de formas diferentes.
Você procura histórias mais populares?
Não exatamente, mas produzidas em ambientes e formas de trabalho diferentes. Antes eu pensava apenas em filmes, dramas e peças que podia fazer na Coreia. Hoje fico curioso pra saber “Como será que trabalham em outros países?”. As diferenças entre cinema, televisão e teatro já são interessantes, mas quando entram culturas diferentes, os processos de produção e o modo como o feedback acontece também mudam. Acho isso fascinante.
Você tem participado de muitas produções internacionais, como Soul Mate, XO, Kitty, Grand Maison Paris e outros projetos. Na Coreia todos conhecem Ok Taecyeon, mas no exterior você precisa provar quem é, isso pesa?
E justamente por isso é ainda mais divertido. O fato de as pessoas não me conhecerem não me ofende. É natural. Na verdade, parece um “clean slate”, uma folha em branco. Isso me dá muito mais liberdade. Embora minha participação em XO, Kitty tenha sido curta, consegui atuar de forma muito mais espontânea e também foi mais fácil ajustar minhas ideias com a equipe.
Talvez justamente por não conhecerem Ok Taecyeon, eles descubram lados seu que ainda não conheciam.
Exatamente. Por isso também estou recebendo personagens muito mais variados. E eu posso me desafiar mais. Em um trabalho recente, por exemplo, eu xingo bastante. (Risos.) Na Coreia, muitas pessoas ainda têm a imagem de que sou alguém saudável, alegre e correto. Mesmo sem perceber, isso acaba influenciando os papéis que recebo.
Você parece estar abrindo uma porta de cada vez. No dia a dia, qual é a sua maior preocupação atualmente?
Como aproveitar mais a vida. Quero me divertir mais! Quando era mais novo, eu vivia tão ocupado que nem percebia o que estava acontecendo ao meu redor. Às vezes ia a uma cidade por causa de um fan meeting ou de uma gravação e pensava: “Esse lugar parece familiar…”, porque já tinha estado ali antes. Encontrava alguém no set e pensava: “Acho que conheço essa pessoa…”, porque já havíamos trabalhado juntos. MPassei os meus vinte e poucos anos tão ocupado que vivi muitas situações assim. Agora quero aproveitar plenamente o presente. Já tenho idade para ser responsável pela minha própria vida.
Você ainda gosta de cozinhar e produzir bebidas?
Ultimamente tenho me dedicado muito mais à culinária. Há pouco tempo comprei um livro de receitas do chef Kang Min-gu e estou seguindo as receitas com bastante empenho.
O que torna cozinhar tão interessante para você?
Desde pequeno gosto de combinar sabores e fazer experiências. Eu pensava: “Como será misturar coca-cola com soda?” “Que gosto isso teria?”. Acho que essa curiosidade acabou me levando também à produção de bebidas. Mas cozinhar é diferente, você cria um prato inteiro a partir dos ingrediente, esse tipo de desafio é muito divertido.
Ouvindo você falar, parece que essa curiosidade aparece também no seu trabalho.
Agora que você falou… acho que é verdade. (Risos.) Quando me perguntavam o que me dava força para trabalhar desde tão novo, eu sempre respondia que eram os fãs e minha família. Hoje continua acreditando nisso, mas acho que foi justamente por ter essas raízes tão sólidas que ganhei coragem para aceitar novos desafios movidos pela curiosidade.
Em uma entrevista anterior, você disse que queria desenvolver uma força interior que não conseguiu construir por ter começado a trabalhar muito cedo. Que força é essa?
Passei a pensar nisso depois do serviço militar. Como comecei a trabalhar muito novo, havia muitas coisas da vida cotidiana que nunca tinha percebido. Depois percebi que precisava aprender a valorizá-las. Por exemplo, eu não fazia ideia da importância dos fins de semana. Como os programas musicais aconteciam justamente aos sábados e domingos, eu ligava para as pessoas da equipe sem pensar duas vezes, mesmo no fim de semana. Hoje vejo que isso foi um grande erro. Quero mudar esse tipo de atitude.
Mudar um estilo de vida tão enraizado não deve ser fácil.
Mesmo assim é preciso tentar. Porque, para mim, o processo e o esforço são mais importantes do que apenas o resultado.
Em agosto, você também vai subir ao palco como integrante do 2PM, e não apenas como ator. Qual é a força que faz com que vocês continuem tão unidos, mesmo cada um seguindo sua própria carreira?
Como estamos juntos desde muito jovens, acho que o espírito de equipe criou raízes profundas em nós. Sempre fomos o apoio uns dos outros nos momentos difíceis, e é por isso que conseguimos nos reunir novamente assim. Há uma coisa que dizíamos entre nós desde muito tempo: “Depois do serviço militar, quando estivermos na casa dos 30, 40 ou até dos 50 anos, seria ótimo se ainda pudéssemos nos reunir com alegria. Que continuemos as atividades do 2PM não porque seja trabalho, mas porque nos divertimos fazendo isso, enquanto cada um segue seu próprio caminho.”
Acho que estamos conseguindo manter essa promessa, e isso me deixa muito feliz.
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