A TRAJETÓRIA DO TEMPO.
Nota: Trechos em negrito são o entrevistador e trechos em itálico são as respostas do Lee Junho.
Enquanto me preparava para esta entrevista, revi sua carreira no entretenimento ao longo dos últimos 18 anos. Fiquei impressionada com a extensa lista de conquistas que você acumulou. Olhando para trás, há alguma imagem ou palavra que venha à sua mente? Não consigo pensar em uma palavra impactante para descrever isso, mas sinto que realmente trabalhei muito. O que mais me impressiona é como o tempo passou rápido. Parece que não faz tanto tempo desde o meu debut.
Ao reler entrevistas antigas suas, encontrei duas palavras que parecem defini-lo: autenticidade e humildade. Me pergunto porque acha isso. (Risos.) Não sei… Talvez porque eu sempre tenha permanecido ativo. Acho que a constância é muito importante. Sempre pensei que, se quero alcançar um objetivo, preciso ser consistente. Mesmo dando o meu melhor sem parar, só assim talvez eu tenha a chance de chegar onde quero. Quando olho para minha adolescência e meus vinte e poucos anos, eu sempre sentia que ainda não era bom o suficiente. Então isso acabou surgindo naturalmente.
A busca pela excelência nunca termina, não é? Espero sentir orgulho de tudo que eu faça. Para isso, preciso ser excelente. Para ser excelente, preciso me esforçar. E, para me esforçar, preciso ser constante. Essa lógica simples está profundamente enraizada em mim desde que eu era criança.
Parece que você já trabalhou em praticamente todas as áreas voltadas ao público: atuação, música, apresentação… Quando era mais novo, gostava de estar diante das pessoas? Naquela época, eu não tinha certeza de que me tornaria um artista. Na verdade, meu primeiro sonho era ser ator. Quando estava no terceiro ano do ensino fundamental, queria estudar em uma escola que tivesse um clube de teatro, então fiz testes em vários lugares. Depois participei da audição da JYP. Através do programa Superstar Survival, entrei para a JYP Entertainment.
O que chama atenção na sua carreira é a quantidade de músicas registradas em seu nome. São 120 canções! Não é uma criatividade incrível? Nunca tive um treinamento formal em composição. Conheci um compositor na JYP Entertainment. Nós nos dávamos muito bem, então eu frequentava bastante o estúdio dele. Aprendi muito apenas observando. Naquela época, eu usava instrumentos musicais virtuais para compor e gravar melodias. Costumava levá-las comigo e ouvi-las repetidamente. Eu não tinha uma meta específica nem me obrigava a compor. Também não havia garantia de que minhas músicas entrariam em algum álbum. Mesmo assim, eu mostrava minhas composições ao Jinyoung hyung e aos funcionários da empresa. Tive sorte de receber um retorno positivo. No fim, algumas delas acabaram entrando nos álbuns. Aos poucos, me apaixonei pela composição e simplesmente continuei.
Você ainda sente a mesma paixão de antes? Exatamente a mesma. Ainda faço meus rascunhos e escrevo minhas letras. Sempre que uma melodia surge na minha cabeça, eu a gravo imediatamente.
Parece que você tem uma necessidade muito forte de se expressar. Quero registrar continuamente os meus sentimentos. Quando comecei a compor, foi porque queria cantar músicas de que realmente gostasse, sem restrições.
Na atuação acontece a mesma coisa. Continuei mudando de personagens e de gêneros porque, no fim, isso me permitia fazer aquilo que realmente queria. Poder trabalhar com algo pelo qual sou apaixonado é uma grande bênção.
Ultimamente houve algo que o marcou profundamente ou despertou novas ideias? Há pouco tempo assisti ao filme Devoradores de Estrelas. Queria muito vê-lo no cinema, mas não foi possível, então assisti em casa. Quase chorei no final. Desde pequeno gosto muito de ficção científica. Mas, além disso, é um filme extremamente emocionante e despertou sentimentos muito profundos em mim. Ele me fez lembrar da época em que eu era criança e sonhava em inventar algo que pudesse salvar a humanidade. Passei muito tempo refletindo sobre isso. Hoje em dia, porém, percebo que não fico tanto tempo preso aos meus pensamentos. Antes eu conseguia passar horas pensando em uma única coisa; agora percebo que rapidamente passo para outro assunto.
Será porque, com toda a experiência acumulada, seu nível de exigência ficou mais alto? Não acho que seja isso. Talvez seja porque ainda existam muitas coisas para experimentar. Independentemente da idade ou da experiência, coisas novas continuam surgindo o tempo todo. Na verdade, acho que hoje somos bombardeados por muito mais novidades do que antigamente. Claro, quando eu era criança, aquela era a época em que tudo despertava meu encantamento.
Você dá a impressão de que seu trabalho também é o seu maior hobby. Existe algum outro interesse? Também gosto de fotografar. O engraçado é que ninguém sabe quais fotos eu tiro, porque nunca mostrei para ninguém. Nunca as publiquei nas redes sociais. Podem ser fotos dos meus gatos ou de paisagens dos lugares por onde passei.
Por que você não as mostra? No passado, eu tinha medo de expor qualquer coisa de forma descuidada. Diante de tantos profissionais de diferentes áreas, eu não conseguia mostrar algo que aprendi sozinho apenas como hobby.
Parecia que eu estaria expondo minhas fraquezas ao revelar minhas habilidades ainda limitadas.
Mas o mundo mudou. As pessoas fazem muitas coisas diferentes e buscam variedade. Vivemos numa época em que respeitamos a individualidade e aceitamos diferentes possibilidades, em vez de perseguirmos apenas a perfeição.
Hoje, como as pessoas apreciam essa diversidade ao compartilhar suas experiências,me sinto muito mais confortável com a minha criatividade do que antigamente.
Como você mesmo disse, o ambiente ficou mais flexível. Então por que continua escondendo esse lado criativo? Porque ainda não atingiu um nível que eu considere aceitável. (Risos.) Como você sabe, quantidade também é importante. Não basta apertar o botão da câmera uma única vez esperando conseguir uma ótima foto. É a mesma coisa com fotografia, música e atuação. Você precisa acumular bastante material para então poder escolher. Mesmo que você tire dez mil fotos, talvez apenas duas ou três, ou até menos, sejam realmente boas no final. Mesmo que escreva centenas de músicas, talvez apenas uma ou duas sejam escolhidas. Mas, claro, também não estou procurando algo extraordinariamente perfeito. (Risos.)
Você fez sua estreia no cinema com Cold Eyes, em 2013. Naquela época você nunca havia recebido um treinamento formal como ator. Trabalhar ao lado de tantos atores veteranos não trouxe pressão? Embora fosse meu primeiro trabalho como ator, tive muita sorte de encontrar grandes veteranos. O Sul Kyung-gu não me viu com preconceito, e graças a esse ambiente consegui atuar de forma natural. Nunca tive uma formação profissional em atuação. No ensino médio aprendi um pouco no clube de teatro, mas, sinceramente, quase não me lembro. Tenho uma vaga lembrança de aprender um pouco de Samulnori (música tradicional coreana de percussão) e Nanta (um espetáculo cômico não verbal originado na Coreia). Conforme fui acumulando experiência como ator, percebi a importância da comunicação.
Quando todos compartilham suas ideias sobre os personagens, as cenas e o roteiro, fica muito mais claro qual direção seguir. Isso também ajuda a criar uma boa conexão entre os atores.
Seu primeiro papel principal no cinema foi em Twenty, certo? Encontrar um filme que retrata a juventude dos vinte anos e interpretar o Dongwoo foi uma experiência muito valiosa. É como se eu tivesse um filme que pudesse envelhecer junto comigo. Existem emoções que só conseguem ser expressas quando ainda somos inexperientes. Mesmo que eu pudesse voltar ao passado levando tudo o que aprendi hoje, eu não faria isso. Gosto de como eu era naquela época. Acredito que aquela criatividade conseguiu capturar perfeitamente aquele momento da minha vida.
Quando você ganhou o prêmio de Melhor Ator no Baeksang por The Red Sleeve, em 2021, imagino que tenha sentido uma grande validação pelo seu trabalho. Embora eu já tenha recebido um Daesang como cantor, esse prêmio tem um significado muito especial para mim. Foi um reconhecimento recebido como indivíduo. É um presente enorme e a maior recompensa por todos os meus esforços.
Agora você está gravando o drama Buy King, certo? Parece ser um personagem bem diferente dos anteriores. Existe um motivo específico para ter escolhido esse papel? O personagem que interpreto é Han Jiyeol, alguém que possui um lado frio na personalidade. Acho que conseguirei mostrar um tipo diferente de chaebol em comparação ao meu personagem em King the Land. Também sinto que o tom desse drama é diferente dos meus trabalhos anteriores. Acima de tudo, a história tem bastante profundidade, e foi por isso que decidi aceitar esse desafio.
Conforme sua carreira avança, existe algo com que você tome muita precaução? Procuro não pensar demais. Refletir é bom, mas descobri que pensar em excesso pode ser muito perigoso. Um pensamento acaba levando a outro. O melhor é encontrar alguém com quem conversar. E, se isso for muito difícil, é preciso aprender a interromper esse ciclo de pensamentos. Sou assim desde pequeno. Quando preciso enfrentar alguma situação, mesmo que esteja ansioso ou nervoso, simplesmente vou em frente. Se pensar demais, começo a criar desculpas para evitar aquilo completamente.
Talvez por isso eu tenha a impressão de que Lee Junho nunca fica completamente perdido ou pensando “não sei o que fazer”. Parece que você sempre toma alguma atitude antes mesmo de esse sentimento aparecer. Com certeza já tive momentos em que me senti perdido. Durante o 2PM passei por uma cirurgia no ombro e me senti completamente sem rumo. Minha maior força sempre foi a dança e as acrobacias, então fui obrigado a deixar isso de lado por um tempo. Foi por volta de 2010. A ansiedade de querer fazer alguma coisa sem saber exatamente o que fazer foi um período muito difícil para mim. Mesmo assim, decidi que não deixaria minhas emoções me dominarem. Foquei na reabilitação e nos exercícios.
Ouvi dizer que você insistiu em subir ao palco mesmo depois de romper um ligamento. Isso aconteceu por perfeccionismo ou por senso de responsabilidade? Foi por senso de responsabilidade. Eu levo promessas muito a sério. As pessoas estavam indo me assistir. Eu havia assumido o compromisso de me apresentar naquele dia, então precisava cumprir o que prometi. Naquela época, houve momentos em que pensei que, se não cumprisse aquela promessa, talvez nunca mais tivesse outra oportunidade.
Isso foi na época da sua lesão, em 2011. Na época você escreveu no Twitter: “Quando as pessoas estão fragilizadas, ficam de um lado esperando e, do outro, culpando o destino. Isso acontece porque elas sentem que não têm energia para mudar a situação.” Depois de conversar com você hoje, tenho a impressão de que você continua exatamente a mesma pessoa daquela época. Acho que, quando você sabe o que deve fazer, para de culpar os outros. Adotando totalmente o status T da mente. (Ele faz referência ao tipo “T” do MBTI.) Se a culpa foi minha, a resposta é simples. Só preciso garantir que não vou repetir o mesmo erro e trabalhar ainda mais. O mais importante é não me deixar ser consumido pela autopiedade nem pelas acusações.
Em contrapartida, existe algum momento em que você sente que o destino esteve ao seu favor? Acho que os fãs são o único caso. Todo mundo já pensou alguma vez: “Seria tão bom se a resposta simplesmente aparecesse bem na minha frente.” Mas percebi que isso raramente acontece. Eu preciso criar alguma coisa para que essa resposta apareça diante dos meus olhos.
Deixando sua humildade de lado por um instante, qual você considera ser o seu maior talento? Acho que é a constância. Espero conseguir carregá-la comigo pelo resto da minha vida.
Que tipo de ator você deseja se tornar? Um ator em quem as pessoas possam confiar e que elas tenham vontade de assistir.
Essa resposta é exatamente a mesma de anos atrás. Talvez esse objetivo nunca se concretize. Mas é a razão pela qual continuo trabalhando duro.
Ultimamente, o que você tem feito pensando no Lee Junho do futuro? Pode parecer estranho, mas ultimamente não tenho pensado muito no futuro. Porque sei muito bem que as coisas dificilmente acontecem exatamente como planejamos. Então, neste momento, simplesmente continuo sendo constante com meus exercícios, lendo roteiros, estudando e analisando os novos projetos que recebo. E assim, tudo isso entra em um ciclo.
Vou vivendo um dia de cada vez. Não é relaxante, mas eu gosto. (Risos.)
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