Em uma entrevista exclusiva com Hwang Chansung, o membro do 2PM e ator se abriu sobre entrar em um de seus papéis mais complexos até agora. Enquanto “Cães de Caça 2” chega na Netflix com uma narrativa mais obscura e intensa, Hwang Chansung compartilha mais sobre seu processo de atuação em evolução, as demandas físicas e emocionais de interpretar Yoon Tae-Gom, e como ele continua a balancear sua vida entre as telas e o palco.
Há um foco tranquilo sobre Hwang Chansung quando ele entra na sala. Sem pressa, sem energia extra, apenas um controle quieto. É o tipo de presença que faz sentido no momento que a temporada 2 de Cães de Caça chega.
Agora disponível pra stream da Netflix, a série retorna com um tom mais sombrio, empurrando seus personagens num território mais severo e complexo. Para Chansung, isso também marca um ponto de virada. Dessa vez, ele assume um papel que se inclina para a tensão e contradição – um personagem moldado pela pressão, disciplina, e escolhas difíceis.
De perto, ele fala da mesma maneira que aborda seu trabalho: comedido, preciso mas aberto.
Não há uma linha clara entre o ator e o personagem, apenas um processo estável de construção, ajustes, e se aprofundar com cada projeto.
Ao mesmo tempo, outro palco está esperando. O 2PM vai dominar o Tokyo Dome em Maio.
Cenário diferente, energia diferente; mas o mesmo nível de comprometimento.
Nos sentamos e iniciamos com a pergunta óbvia: como essa jornada mudou.
P: Você construiu uma carreira de atuação estável no decorrer dos anos. Como a forma que você aborda os personagens mudou?
CS: Eu iniciei minha carreira na atuação em uma sitcom, e esse papel usava meu nome real. Então, foi um começo peculiar para achar uma direção e desenvolver um personagem que usava o mesmo nome que eu. Eu pensei que era tudo muito, divertido. Eu instantaneamente fui capturado em me preparar para um papel e entender um personagem.
Minha abordagem para personagens mudou a cada projeto, porque cada projeto e cada papel é diferente. Obviamente, eu aprendo as minhas falas, tento nuances diferentes, e visualizo na minha cabeça o personagem, mas tanto disso muda quando você chega nas gravações ou até depois. Também, cada set (de gravação) tem a sua própria forma de trabalhar então muito da minha abordagem se adapta ao diretor, à equipe, e ao projeto em geral. Meu trabalho é chegar ao trabalho diariamente com 100% de comprometimento e a ética de trabalho para expressar meus personagem da forma mais persuasiva que puder. Esse é o objetivo, que nunca muda, mas a abordagem quase sempre muda.
P: O que te atraiu a entrar na segunda temporada de Cães de Caça?
CS: De muitas formas, Cães de Caça 2 foi uma ótima oportunidade pra mim. Eu conheço pessoalmente o Diretor Kim Joo-Hwan agora por mais de 10 anos, nós sempre dissemos que deveríamos trabalhar juntos quando surgisse o projeto certo. Esse pareceu ser o caso. Eu nunca fui escalado como um vilão, e criativamente também, esse papel pareceu a oportunidade perfeita para que eu pudesse explorar novas dimensões.
O diretor Kim e eu conversamos muito sobre o personagem desde a fase da pré-produção, e quanto mais tempo passava desenvolvendo o personagem, mais apegado eu fiquei com o papel. A partir daí, foi um processo divertido de preencher as lacunas pra esse papel tanto física quanto emocionalmente.
P: Sem das spoilers, como você descreveria o seu personagem para o público?
CS: Eu interpreto Yoon Tae-Geom, o braço-direito do vilão principal, Baek-Jeong, Tae-Geom também é um ex-sargento das Forças Especiais que foi dispensado sem honras e agora usa suas habilidades como um capanga uma pessoa muito ruim. Tae-Geom faz o trabalho e fica com as mãos sujas, mas ele está fazendo isso tudo por sua família; o que o torna diferente. Ele é um personagem conflituoso, tanto quanto em sua mentalidade.
P: Como você se preparou para esse papel, tanto física quanto mentalmente?
CS: Além de condicionar o meu físico, eu comecei a treinar box, jiu-jitsu, artes marciais e coreografia – todos eles parecerem assustadores de início, mas se tornou divertido enquanto eu aprendia todas essas técnicas novas e eu gostei do processo de aprimorar minhas habilidades. A ação na primeira temporada foi intensa e polida, então eu sabia que teria muito trabalho para manter essa qualidade. Aprender os chutes foi especialmente desafiador porque é difícil fazer um chute parecer doloroso quando ele não é. Também, se eu não conseguir controlar, pode gerar um machucado grave.
Mentalmente, foi muita visualização do papel e da situação e da pressão que ele foi colocado. Ele é um personagem que está sempre sob um estresse imenso. Ele está sempre no limite. Ele está batalhando essas emoções diferentes e impulsos, mas, no final, Tae-Geom é um marido e pai que está disposto a chegar a qualquer profundidade pra manter sua família segura. Esse é um aspecto do personagem com o qual eu posso realmente me relacionar, então eu peguei essa parte minha e usei para preencher o restante que faltava.
P: A série é conhecida por sua ação intensa. Qual foi a parte mais desafiadora pra você?
CS: Eu gravei duas grandes sequências de ação – uma durante o auge do inverno e outra no auge do verão. A cena gravada no inverno, no script não era inverno, o que significa que precisamos usar roupas leves e nos manter sendo aquecidos constantemente, vapor saindo de nossos corpos como se estivéssemos evaporando. A cena do túnel foi gravada no verão, o que por si só já era ruim. Mas, por questões de iluminação, o túnel precisou ser completamente bloqueado sem ventilação. Eu estava bronzeado para a cena, mas todo mundo ficou preocupado porque eu estava parecendo extremamente doente e pálido. Eu aproveitei cada minuto de gravação, mas essas duas sequência foram desafiadoras.
P: Como era a atmosfera no set trabalhando com esse elenco?
CS: A atmosfera nunca esteve ruim. Todo mundo estava 100% comprometido. Ninguém estava reclamando. Eu acho que todo mundo sabia que era crucial se manter focado, porque se não estivermos, alguém se machuca. Também, queríamos que a ação parecesse convincente e não tem uma forma de conseguir isso sem levar algumas pancadas. Então, em algum ponto durante a sequência de ação, dizíamos uns aos outros, “Me bate, só me bate.” Ninguém reclamou, porque todos estávamos saindo do set com cortes e machucados. Eu acho que todos sabíamos que quando a intensidade aumentou e estávamos em sincronia, era importante não perder o timing.
P: Como alguém balanceando música e atuação, como você muda entre as duas mentalidade?
CS: Não há uma mudança real na mentalidade. Tanto a música quanto a atuação despertam o meu foco, comprometimento, e disciplina. A diferença real entre esses dois vem em como eu aproveito essas duas coisas diferentes. Na música, o objetivo final sempre é o palco. Isso significa que o retorno para todo o meu trabalho duro é instantâneo. Eu vejo como nossos fãs gostam do que fazemos no palco. A descarga de dopamina e adrenalina é insana. Não tem nada como a sensação de subir no palco na frente de dezenas de milhares de fãs.
Na atuação, a alegria vem de formas diferentes e em momentos diferentes. Tem a alegria de estudar e pesquisar um papel e materializar minha visão como um ator. O feedback de verdade do meu trabalho na atuação vem meses depois, então é um aumento gradual de expectativa. É muito animador, mas também angustiante de certa forma.
P: Pensando no futuro, quais tipos de papéis você quer explorar em seguida?
CS: Tae-Geom foi uma bonita oportunidade pra eu me aprofundar em um personagem que tem muito à perder, muito a esconder, e muito pelo que lutar. No futuro, eu quero me aprofundar ainda mais sobre ir fundo na psicologia interna de um personagem e sua complexidade. O papel assim seria agradável pra eu explorar, eu acho que teria muito mais à mostrar ao público.
P: O 2PM tem um show de aniversário chegando. O que os fãs podem esperar dessa vez?
CS: É louco, mas tem 15 anos desde que debutamos no Japão. Parece celebrar com nossos fãs, o 2PM vai assumir o palco do icônico Tokyo Dome dias 9 e 10 de maio. Todos os membros e eu pensamos muito na seleção de músicas, porque tem tantas que gostaríamos de mostrar.
Normalmente, organizaríamos as músicas para nos dar um tempo de respirar entre elas, mas decidimos que isso seria inapropriado dessa vez. Todas as músicas são nossos maiores sucessos e as músicas com coreografias mais intensas, o que significa que o 2PM vai dançar de um jeito que nunca dançou antes num palco.
Soubemos que quanto mais suamos e cansamos no palco mais os fãs apreciam. Então, acho que posso dizer que nossos fãs realmente vão gostar do nosso show em maio.
Com a segunda temporada de Bloodhounds já disponível, a mudança de Hwang Chansung parece clara. Não gritante, não repentina, mas deliberada. O tipo que vem do tempo, repetição, e sabendo quando ir além. O papel dele na série não só acrescente algo a filmografia dele; mostra uma disposição de entrar no desconfortável e carregar um personagem que fica moralmente numa área cinzenta.
O que se destaca é o quão consistente seu pensamento se mantém. Seja construindo um personagem no decorrer de meses, ou entrando num palco na frente de milhares, a abordagem não muda. Foco, disciplina, e comprometimento. A diferença é o retorno. A atuação vem lentamente, muitas das vezes em silêncio. A música responde instantaneamente, em tempo real.
Esse contraste se torna mais visível agora. Enquanto Cães de Caça chega no público global através da Netflix, o 2PM se prepara para subir ao palco no Tokyo Dome dias 9 e 10 de maio.
Dois espaços, dois ritmos diferentes; mas ambos demandando o mesmo nível de intensidade.
E talvez seja aí onde Hwang Chansung se sente mais confortável.
No meio.
Indo de um mundo para o outro, sem precisar separar eles muito. Na tela, ele guarda tudo. No palco, ele libera tudo.
Ambos parecem uma extensão natural de onde ele está agora: ainda evoluindo mas incontestável no trabalho.
Fonte: (1)
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